Primeiros Pastorados

HISTÓRIA DA IBCOR: os primeiros pastorados

Capitulo II - OS PRIMEIROS PASTORADOS (1905-1908).

A Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR), ao longo do seu centenário, teve onze Pastorados efetivos, contados a partir de sua organização em Igreja em 1905, depois de quatro anos (1901 a 1905) em que a comunidade foi congregação da Igreja Batista do Recife, dirigida pelo Pastor Salomão Ginsburg. Os seus quatro primeiros Pastorados foram breves, tanto por circunstâncias locais como pela própria dinâmica do trabalho, quando um obreiro era responsável por mais de uma Igreja. Esses primeiros pastorados, embora de curta duração, exercidos por Antônio Marques da Silva, Manuel Corinto Ferreira da Paz, José Pedro da Silva e Robert Edward Pettigrew, foram abençoados e frutíferos para a Igreja e para a Causa de Cristo, exercidos de forma dedicada por estes Servos do Senhor para divulgação e do Evangelho de Cristo nesse bairro do Recife.


1889+Antonio+Marques+da+Silva

O 1º Pastorado: ANTONIO MARQUES DA SILVA. Esse foi um dos mais breves pastorados da IBCOR, com poucos meses de duração, de 15 de novembro de 1905 até meados de 1906. Essa brevidade causou, até recentemente, dificuldade para alguns reconhecê-lo como Pastor da Igreja. A respeito disto, Isaque Aragão(Manuel Alves Barbosa), o decano dos membros da IBCOR, escreveu: "Apesar de constar em arquivos, haver sido o pregador Antonio Marques o primeiro ‘Pastor’ da Igreja, já em 1906 contava-se na liderança da Igreja o Pastor Manoel Corinto da Paz...” (ARAGÃO, Isaque, Boletim da Igreja Batista do Cordeiro, de 15.11.1980). A manifestação do Diácono Isaque Aragão era a expressão decorrente da pouca informação que a igreja tinha sobre a figura singular do pioneiro Pastor Antonio Marques da Silva que, tal qual cometa, em fugaz passagem pela IBCOR e por outras igrejas Batistas em Pernambuco.

A dúvida lançada sobre sua qualificação pastoral é afastada pelo registro do Pr
Pedro Tarsier, em "Perseguições Religiosas no Brasil", e Pr José dos Reis Pereira, na "História dos Batistas no Brasil (1882-1982)", além de registros contemporâneos sobre suas atividades, inclusive sobre o registro da sua consagração no Templo da Igreja Batista da Bahia, feitos no Jornal Batista.

Antonio Marques da Silva foi um dos primeiros pastores brasileiros, nascido na Bahia. Alcançado pela mensagem do Evangelho, pregada por Zacarias Taylor, em Minas Gerais. Consagrado ao Ministério da Palavra (1888), por Zacarias Taylor, de cuja classe teológica fora aluno, conforme registra o pioneiro historiador: “
1888 – [...] Antonio Marques foi consagrado em Minas e pouco mais tarde voltou à Bahia, seu Estado natal, para trabalhar na cidade de Valença.” Há divergência quanto ao local da consagração porque uma contemporânea, Archiminia Moreira, em artigo publicado quando ele ainda vivia, informa que o Pastor Antonio Marques da Silva foi consagrado ao Ministério da Palavra no casarão da ALJUBE, onde se reunia a Primeira Igreja Batista da Bahia, tendo por teto as estrelas e as copas da figueira: "[...] Foram ali [no Casarão do ALJUBE] consagrados os missionários nacionais. O primeiro deles, um verdadeiro apóstolo e mártir, João Gualberto Batista, que hoje descansa na mansão dos justos, consagrado ao ministério em 1883, e o velho Antonio Marques, que ainda está entre nós. [...]” (BARRETO, Archiminia, Os Primeiros Baptistas na Bahia, in’O Jornal Batista, de 23.06.1921, p. 9). Reis Pereira, referindo-se a ele diz: “Entzminger teve bons auxiliares na pessoa dos pastores brasileiros Melo Lins e Antônio Marques, este consagrado por Zacarias Taylor”.

O Pastor Antônio Marques da Silva ainda pastoreou as Igrejas Batistas de Maceió e Penedo, em Alagoas, e de Bom Jardim (PE), Sirigi (Moganga), em Pernambuco. Após deixar o Pastorado da IBCOR, em meados de 1906, vamos encontrá-lo em Salvador (BA): “
O rev. A. Marques veio de Pernambuco em setembro (1906) e foi empregado pela Missão até o fim do ano”. Encontramos mais de uma referência à sua participação em atividade da denominação no Estado da Bahia, mas sem indicação do exercício de pastorado. A tradição oral insinua que um parente exerceu o Ministério Pastoral e, embora as pesquisas ainda não tenham comprovado o fato, há registro de atividade do Pastor Marques em companhia de igual sobrenome: “Organizada a Igreja Batista no bairro de Santo Antonio. [...] presentes os Pastores Ernest A. Jackson, C. F. Stapp, João Izidro Miranda, Ernesto Marques e Antonio Marques”.

1905+Manoel+Corinto+Ferreira+Paz.bmp

O 2º Pastorado: MANOEL CORINTO FERREIRA DA PAZ (1906-1907). O primeiro Pastorado de Manoel Corinto Ferreira da Paz na IBCOR é o segundo, na ordem cronológica, e também de breve duração na história da Igreja, com poucos meses de duração. Iniciou-se em meados de 1906 e encerrou-se em 27 de janeiro de 1907, quando deixou o Pastorado da IBCOR, para exercer o ministério em Nazaré da Mata. Adiante, no segundo Pastorado, falaremos a vida do Pastor Manoel da Paz.

A Igreja, no primeiro Pastorado de Manuel da Paz, em setembro de 1906, preparou o primeiro Templo, no salão da casa alugada pela igreja ao irmão Felinto Pereira Freire. Naquele local a igreja funcionou até a construção do Templo próprio no segundo Pastorado de Manoel da Paz (em 1912). O Templo da Igreja ficava situado próximo da estação da ferrovia Recife-Várzea, no local que veio a ser denominado Bomba Grande, em razão da bomba d´água para abastecer a locomotiva. No final desse Pastorado, em 8 de Janeiro de 1907, a Igreja organizou a sua Escola Bíblica Dominical21 e, logo em seguida, elegeu o Superintendente e o Tesoureiro (Ata de 9
de abril de 1907).

O 3º Pastorado: JOSE PEDRO DA SILVA (1907-1908)

Esse Pastorado, com duração de apenas dezesseis meses, entre 27 de janeiro de 1907 a 10 de maio de 1908. O Pastor José Pedro da Silva, natural do Recife
(PE), membro da IB do Recife, era aluno do Seminário Batista, tendo sido consagrado ao Ministério da Palavra, em 26 de setembro de 1907, em Concílio de que participaram os Pastores Salomão Ginsburg, David Luke Hamilton, Harold Harvey Muirhead, Manoel Corinto Ferreira da Paz, Jerônimo de Oliveira e Isidoro Candido Pereira. Considerado um orador de palavra agradável, mais tarde ficou cego, mas ainda pregava com
regularidade. Era casado com Maria Barreto da Silva. Esse obreiro trabalhou vários anos como auxiliar de Salomão Ginsburg, auxiliando-o no pastorado de varias igrejas, inclusive na IBCOR.

A IBCOR, no seu Pastorado, elegeu os dois primeiros Diaconos: Felinto Pereira Freire e Agripino Ferreira de Barros (12.05.1907), colocando-os em exame, para posterior consagração, como era o costume naquela época. Mais tarde, havendo o irmão Agripino retornado à sua terra de origem (Nazaré da Mata), em 1º de janeiro de 1908, no termino do Culto do Ano Novo, foi consagrado ao Ministério Diaconal o irmão Felinto Freire. Em face da eleição nessa data, a IBCOR escolheu o segundo domingo de maio para, anualmente, comemorar o Dia do Diácono Batista do Cordeiro. Nesse período a IBCOR recebeu dois membros da Igreja Batista de Carpina, Francisco Fernandes de Oliveira e Francisca Maria de Oliveira, que havia sido dispersada pela perseguição religiosa movida pelos católicos da localidade, insuflados pelos padres. Eram eles dois líderes natos e que em muito contribuíram para a obra do Senhor, sendo ele, mais tarde consagrado ao Ministério Diaconal e ela ativa participante, inclusive professora da Escola Dominica. Por essa época as perseguições religiosas diminuíram na Capital, mas, no interior do Estado, persistiram durante anos, de forma feroz, com agressões físicas, queima de residências e até morte de crentes. Em várias ocasiões a IBCOR recebeu membros de Igrejas Batistas que haviam sido dispersos
por perseguição religiosa católica.

O 4º Pastorado: ROBERT EDWARD PETTIGREW (1908)

1904+Robert+Edward+Pettigrew+2.bmp



O Pastorado de Robert Pettigrew, na IBCOR é o mais breve, com quatro meses de duração, de 9 de junho a 10 de outubro de 190827. Pettigrew deixou o pastorado da IBCOR em face da transferência para pastorear a Igreja Batista de Nazareth da Mata e outras daquela região, ali permanecendo pouco tempo. Designado para servir em Maceió (AL), onde ficou até viajar em gozo de férias, aos Estados Unidos. Ao retornar, o casal Pettigrew foi enviado para o Paraná, onde fez excelente trabalho, estando na galeria dos heróis Batistas do Paraná. As informações sobre Robert Pettigrew no Brasil ainda são esparsas. Em Maceió (AL), o Pastor Robert Pettigrew promoveu a conciliação entre os grupos Batistas que se hostilizavam em razão da questão maçônica, que dividira a Igreja Batista de Maceió em dois grupos, um apoiando os irmãos que eram maçons e outros tomando posição contra (estimulados por obreiro presbiteriano).

Robert Pettigrew graduou-se na Universidade Batista do Sudoeste, em Jackson, Massachussets (USA) e se preparou para o ministério no Southern Baptist Theological Seminary, Louisville, Kentucky (USA). Missionário para o Brasil da Junta de Richmond (USA), em 190430, serviu na Bahia (1904-1907), em Pernambuco (1907-1908), em Alagoas
(1909-1910), no Paraná (1911-1917) e no Rio Grande do Sul (1917-1934). Pettigrew casou com Bertha Mills, em 30 de abril de 1910, em cerimônia realizada no Templo da IB-Recife, registrada n’O Jornal Batista: "
Casamento. No dia 30 do corrente (abril ou maio?) na Primeira Igreja Batista do Recife receberam a benção matrimonial
os prezados irmãos Rev. Robert Edward Pettigrew e D. Bertha Mills. Mil felicidades lhes desejamos”
32.

Bertha Mills nasceu em Santa Bárbara (em 1879 ou 1880), filha de Williams D. Mills e Dora Mills, tendo por avô paterno James Mills e avós maternos Andrew e Elisa Tatcher, pioneiros de Santa Bárbara (SP). Convertida aos treze anos, ouvindo pregação do Pastor Michael Dickie, tornou-se membro da Igreja Metodista. Estudou no Colégio Progresso (São Paulo), adquirido por Anna Bagby, que mudou o nome para Colégio Batista Brasileiro. Nessa época, Bertha se tornou Batista e recebeu o chamado para Missões, indo estudar nos Estados Unidos. Nomeada missionária em 21 de novembro de 1907, retornou ao Brasil na companhia Aline e Harold Muirhead, para trabalhar no Colégio Batista, no Recife (PE)33. Casou com o Pastor Edward Pettigrew, indo o casal trabalhar em Alagoas. Em 1911, foi para Paranaguá, Paraná, e, em 1917, para o Rio Grande do Sul, onde faleceu em Porto Alegre, em 22 de abril de 193134. O culto memorial foi realizado na Igreja Metodista de Porto Alegre, quando pregou o Pastor Guilherme Bagby. Sepultada no Cemitério Batista Alemão daquela cidade. Pettigrew pastoreou, em Pernambuco, as Igrejas Batistas do Cordeiro, Gameleira e de Nazaré da Mata36. Em gozo de férias na pátria em 1910, Robert e Bertha Pettigrew retornaram ao Brasil, estabeleceram-se em Paranaguá, no Paraná, em junho de 1910. Desenvolveram o trabalho Batista no Estado, com auxilio do Pastor Manoel Virginio de Souza, antigo companheiro de Pettigrew, que o convidou de Alagoas. O casal perma- neceu seis anos em Paranaguá, onde ele pastoreou a Igreja Batista. Lá, dirigiram uma escola, onde Bertha organizou a primeira sociedade de senhoras do campo paranaense. Aposentado em 1934, depois de servir no Brasil por trinta anos, Robert Pettigrew retornou a Louisville, Kentucky (USA), sua terra natal, onde Pastoreou a Walnut Street Baptist Church, a maior igreja Batista a oeste do Rio Mississipi, de onde se aposentou em 1962. Em 4 de setembro de 1962, Robert Edward Pettigrew faleceu, com mais de cem anos de idade.