Pr. Manuel Ferreira da Paz

HISTORIA DA IBCOR: pastorado Manoel Ferreira da Paz

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Capítulo III

O Pastorado MANOEL CORINTO FERREIRA DA PAZ (1908-1926)


O segundo Pastorado de Manuel Corinto Ferreira da Paz é o quinto na ordem crono- logica e se estendeu de 7 de novembro de 1908 a 30 de abril de 1926, quando Deus o chamou para Si. O trabalho do Pastoral do Pastor Manuel da Paz na IBCOR foi marcante não apenas pela pregação do Evangelho, mas pela edificação do rebanho que o Senhor lhe confiou, ao longo de dezoito anos. Manuel da Paz era considerado um bom pregador da Palavra, a ponto do missionário William Carey Taylor, professor de teologia do Seminário, sua ovelha durante vários anos, declarar que sentia prazer em ouvir o Pastor Manuel da Paz expor a mensagem das Sagradas Escrituras, em sermões dominicais dedicados à instrução doutrinária da Igreja, pregados nas manhãs de domingo, onde discorria com simplicidade e firmeza doutrinária. A Taylor não parecia estar ouvindo um homem sem formação universitária (TAYLOR, O CORREIO DOUTRINAL, 07.05.1926)

As atividades ministeriais do Pastor Manuel da Paz transcendiam ao púlpito. Ele era dinâmico na administração da Casa do Senhor, presidindo mensalmente as assem- bléias da Igreja e encaminhando à solução assuntos urgentes e relevantes. Há alguns aspectos do seu Ministério que merecem ser lembrados.

A Escola Batista. No início do Pastorado Manuel da Paz, teve a visão de fundar uma escola primária (Escola Paroquial Batista), onde estudariam as crianças filhas dos membros da Igreja e, à noite, adultos, no curso de alfabetização de adultos, para aqueles que desejavam. Estas Escolas Anexas, como eram chamadas, foram instituídas pelas igrejas evangélicas (batistas, presbiterianos, Metodistas e Adventistas) com dupla finalidade: possibilitar a educação dos filhos dos membros em ambiente calmo e tranqüilo e, ministrar instrução cristã, de acordo com a fé dos seus pais. As escolas públicas de então tinham, como professores, pessoas vinculadas à religião católica romana, que tratavam com menosprezo e grosseria os filhos dos evangélicos, permitindo ser alvo do deboche de outros alunos, com raras exceções. As escolas vinculadas às Igrejas Batistas, além de propiciar um ambiente acolhedor para os alunos, facilitava, aos filhos de famílias menos aquinhoadas, terem oportunidade de estudar, como a grande maioria na época. Assim foi até os anos sessenta quando as escolas publicas se tornaram abundantes e de boa qualidade e se respeitavam os cristãos não católicos. Algumas destas escolas Batistas se tornaram centros de ensino de renome, influenciando a sociedade pela educação dos filhos. Exemplos são, entre outros, os Colégios Americano Batista (no Recife), Onze de Setembro (em Arcoverde) e Sete de Setembro (em Caruaru). A Escola Paroquial depois mudou o nome para Instituto Batista do Cordeiro e funcionou até 1985, educando milhares de filhos de membros da IBCOR e congregados. Muitos alunos desta escola vieram a se tornar obreiros da Seara, entre os quais Tércio d’Oliveira (STBNB 1918), Abílio Pereira Gomes (STBNB 1928) e João Norberto da Silva (STBNB, 1932). Outros se destacaram na denominação e na sociedade, chegando à Universidade para estudar Direito, Medicina, Engenharia, Serviço Social e muitas outras profissões, contribuindo para a divulgação do Evangelho de Jesus Cristo.

As Atividades na Denominação. A IBCOR, desde os seus primórdios, foi uma igreja atuante no campo da denominação. Ao ser planejada a organização da Convenção Batista Brasileira (CBB) em 1907, em Salvador (BA), contribuiu financeiramente para o envio do Pastor João Borges da Rocha àquela Assembléia. A CBB foi organizada pela inspiração e persistência de Salomão Ginsburg, para congregar as Igrejas Batistas do Brasil, seguindo o modelo praticado pelos Batistas desde o Século XIX, quando, em 1707, organizaram a Primeira Convenção Batista, na Cidade de Filadélfia (USA). A CBB realizou a terceira Assembléia, no Recife, entre 23 e 27 de Junho de 1909, no templo da PIB do Recife, onde a IBCOR se fez representar, por seus mensageiros Pastor Manuel da Paz e o Diácono Felinto Freire. A 12ª Assembléia da CBB, também Recife (1920), teve representação de Igrejas de catorze dos vinte e um Estados da Federação.

A IBCOR, âmbito regional, participou de todas as reuniões da União Batista Leão do Norte (1900-1913) e da Convenção Batista Regional (1914-1925), hospedando em seu Templo as Assembléias em 1915 e 1921. Auxiliou igrejas menores contribuindo para a edificação de Templos, como a Igreja Batista de Moganga (hoje IB Sirigi), fazendo doação em dinheiro.

A observância dos princípios Batistas. A IBCOR sempre foi uma igreja zelosa da doutrina Batista. Embora os cristãos tenham em comum a fé em Jesus Cristo, nosso Salvador, nós, os cristãos Batistas, temos princípios que nos identificam de modo particular. A IBCOR, desde seu início, observa e ensina esses princípios aos que se tornavam seus membros. Uma forma comum era – e ainda é – a leitura do Pacto das Igrejas Batistas para os novos membros, na ocasião em que eles davam profissão de fé. Em 1909, esse costume foi tornado em regra, passando dali em diante a ser feito sempre para que os novos membros tivessem a identificação denominacional.

A Construção do Templo. Uma das necessidades básicas de uma igreja cristã é um local próprio para suas reuniões de Culto a Deus e para suas reuniões doutrinárias e de caráter comunitário. Na oportunidade em que assumiu, pela segunda vez (07.11. 1908), o Pastorado da IBCOR, o Pastor Manuel da Paz apresentou o seu projeto de levar a Igreja à edificar o seu Templo próprio, posto que até então se reunia em imóvel alugado. Aprovada a construção do Templo, em 23 de abril de 1911, no lote de terreno arrendado ao irmão Vicente Barbosa de Lima (secretário), a igreja se mobilizou e escolheu o irmão Manoel Matheus para administrar a construção, o qual passou a arrecadar contribuições. O Templo foi planejado para ser construído em taipa (estrutura de madeira, com barro), com as seguintes dimensões 26 palmos de frente (5,46m) e 45 palmos (9m45m) em cada lado, com uma porta e duas janelas na frente e três janelas em cada lado. O Templo foi inaugurado em Culto festivo, realizado no dia 3 de Maio de 1911, com a presença de irmãos da PIB Recife, Nazaré da Mata, Imperial e Torre. O Templo estava edificado em terreno foreiro, isto é, o ocupante tinha a posse, mas não a propriedade, pagando anualmente uma importância a titulo de foro. Antes mesmo da inauguração, a Igreja votou adquirir a propriedade do terreno, sendo planejado que cada membro da igreja contribuísse com 2$000 mensais. O Templo edificado nessa época serviu à Igreja até o termino do Pastorado Manuel da Paz. Foi reformado no Pastorado Sebastião Tiago Correia de Araújo, sendo edificado em alvenaria de tijolo e coberto com telhas de barro.

Os Cálices Individuais para a Ceia. A IBCOR, em 23 de abril de 1911 adotou o uso de cálices individuais na celebração da Ceia do Senhor. As igrejas batistas têm duas ordenanças: a Ceia do Senhor e o Batismo. A primeira delas é celebrada periodicamente, na época atual, uma vez por mês e em ocasiões especiais como na Semana comemorativa do Martírio de Cristo (chamada Semana Santa), Natal e Ano Novo. A Ceia do Senhor, para os cristãos dos primeiros séculos, era celebrada sempre que havia uma reunião da igreja, lembrança (memorial) da morte e do sacrifício de Jesus Cristo, com os dois elementos – o pão, simbolizando o corpo de Cristo, partido por nós, pecadores, e o vinho, o seu sangue, derramado pelos nossos pecados.

Historicamente era usado um cálice comum, o qual, cheio e passava de mão em mão e do qual cada um membro da igreja bebia. A prática se tornou secular, desde os primóridos da igreja instituida por Jesus Cristo, no primeiro, chegando ao início do Século XX sem mudança de forma, quando razões de higiene recomendaram a adoção de cálices individuais, em especial quando epidemias grassaram no país e no Recife. A igreja, por essa decisão, trocou o cálice único, comum, por cálices individuais. Os cálices eram de metal e, posteriormente passaram a ser de vidro. A cada vez que eram usados, eram lavados e esterilizados. A prática evoluiu e, a partir dos anos oitenta, a Igreja adotou cálices individuais descartáveis.

A Visita de Salomão Ginsburg. O missionário Ginsburg, em março de 1915,retornou a Pernambuco, visitando as várias igrejas que organizara ou dirigira, chegando ao Recife em 6 de março e permanecendo vários dias no Estado, fato registrado no Jornal Batista: "
De volta do interior, comecei a visitar as diversas igrejas da capital. Quinta feira, 10 de março, estive com os irmãos da Igreja do Cordeiro. O dedicado Pastor Manoel da Paz, apesar de não gozar de perfeita saúde tem feito um excelente trabalho. Junto ao Templo, a igreja acaba de construir uma escola anexa, freqüentada por mais de quarenta alunos. A obra de Jesus está prosperando e a influencia espiritual da igreja sente-se por toda aquela zona. A noite tivemos uma reunião abençoada. Deus quer continuar a derramar ricas bênçãos sobre o trabalho ali e sobre o dedicado Pastor Manoel da Paz. (...) 24.03.15. Salomão L. Ginsburg (OJB, 01.04.1915).

A ocasião foi um momento de rever os amigos e os convertidos muitos dos quais ele batizara e de “alimentar a saudade” porque, como dizia o nosso querido Pastor David Mein, “saudade não se mata, se alimenta”.

O Ministério Diaconal. A IBCOR sempre valorizou o Ministério Diaconal, cujos componentes têm sido liderança na Igreja e auxiliares sempre presentes junto a seus Pastores. Nos seus primórdios, a Igreja elegeu o primeiro Diácono – Felinto Pereira Freire –, consagrado no Culto de Ano Novo (1907-1908). No Pastorado Manuel da Paz, o Ministério Diaconal foi estruturado, sendo eleito e consagrado para esse Ministério o irmão Francisco Fernandes de Oliveira (1909). Mais tarde acrescido de Manoel Firmino de Mello (1911), Benedito Firmino de Mello (1911), José Baptista do Rego e Agripino Ferreira de Barros (1912), Severino Valdevino (1913),João Correa e José Pinto (1914), Sebastião Tiago Correa de Araújo, Pedro Antonio Ferreira e Casemiro Baptista, eleitos em 1917 e consagrados em 19 de Junho de 1918, Luiz José da Silva, em 1923.

A pregação da Mensagem do Evangelho. A IBCOR, desde os seus primeiros dias, teve presente a Missão de pregar a Mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, tanto no local onde tinha sua sede, como em locais distantes. No Pastorado Manuel da Paz há registros da existência de Congregações na Iputinga (1915), na Usina Caxangá, na mata norte do Estado (1915) e em Barreiras de Caxangá (1915), na mata sul, todas dirigidas pelo Seminarista Abílio Gomes Pereira. Mais tarde, em 1921, será iniciado o trabalho de evangelização no bairro da Várzea, que prosperará e se transformará na Congregação na Várzea e organizada Igreja em 15 de Junho de 1923, com quarenta e um membros que receberam cartas demissórias da IBCOR com o nome de Igreja Evangélica Batista da Várzea. Hoje, a IEB Várzea se reúne no seu belo Templo, situado na Praça Prefeito Pinto Damaso, no bucólico bairro da Várzea. Esta é a primeira igreja-filha da IBCOR, hoje dirigida pelo Pastor Pedro Luis Serafim. Nesse período, a IBCOR deu início ao trabalho de pregação do Evangelho em Serinhaem, na residência do casal Manoel e Noca Batista, membros da Igreja, que se mudaram para aquela localidade, para trabalhar na usina de açúcar no município. A congregação cresceu e foi orga- nizada na Igreja Batista de Serinhaém, em 16 de abril de 1924, hoje pastoreada pelo Pastor Walter Amorim. Esta é a segunda igreja-filha da IBCOR.

O Pastor Manuel da Paz não limitou a pregação do Evangelho de Cristo a cidade do Recife e ao Estado de Pernambuco. Encontramos registros de viagens missionarias às localidades de Penedo (AL) e Paraíba.Ele multiplicou o tempo para pastorear as Igrejas Batistas do Poço (hoje IB Nova Sião, AL), de Gravatá (PE), Nazaré da Mata, Rua Imperial, Torre, Feitosa, além da IB do Cordeiro, no Recife (PE).

Alunos Ministeriais. A IBCOR sempre contou com a colaboração dos alunos ministeriais (Seminaristas) nas suas atividades, que em muito contribuíram para o desenvolvimento dos trabalhos internos e externos. Em algumas oportunidades, eles pregaram e dirigiram a Igreja nas ausências ocasionais do Pastor Manuel da Paz. O primeiro deles foi José Pereira de Salles, que foi auxiliar do Pastorado quando Manuel da Paz mudou a residência para Gravatá, por recomendação médica. Durante o seu período na IBCOR, o Seminarista Pereira Salles já demonstrava o seu dinamismo, pregando e dirigindo todo o trabalho, deixando ao Pastor Manuel da Paz dirigir as assembléias e presidir a Ceia do Senhor, até se recuperar suas forças. Mais tarde, Pereira Salles, consagrado ao Ministério, Pastoreou a IB da Torre (Recife) e a
IB Rio Largo (Alagoas), onde exerceu grande influência na cidade, em especial pela fundação do Colégio XV de Novembro, de grande reputação, recebendo filhos de famílias abastadas, os filhos de crentes e candidatos ao ministério. A escola atraiu muitos obreiros de Alagoas que vieram estudar no Seminário Batista (Recife). Pereira Salles foi fiel discípulo de Manuel da Paz e o acompanhou no Movimento Radical, tornando-se mais radical que o próprio. Os irmãos Tercio d´Oliveira e Abílio Gomes foram os primeiros membros da IBCOR recomendados ao Colégio e ao Seminário Batista em 1915. Nessa época, os alunos ministeriais estudavam no Colégio as disciplinas do Curso de Bacharel em Ciências e Letras e no Seminário as disciplinas do currículo ministerial. Na conclusão do curso, recebiam o diploma do Colégio Americano Batista. Somente a partir de 1918 o Seminário passou a fornecer os diplomas aos seus alunos, na primeira Turma de Mestre em Teologia (Munguba Sobrinho, Antonio Neves Mesquita e Tertuliano Cerqueira). Tércio d´Oliveira e Abilio Gomes Pereira concluíram seus cursos em 1917. O primeiro foi consagrado ao Ministério da Palavra em 19 de Junho de 1918, para servir à Igreja Batista do Rio Largo (AL), e o segundo em 30 de Agosto de 1918, para servir à Igreja do Pilar em Itamaracá (PE).

As Primeiras Igrejas Filhas. A IBCOR, no Pastorado Manuel Corinto Ferreira da Paz organizou duas novas Agencias do Reino de Deus, a Igreja Evangélica Batista da Varzea, no bairro da Várzea, no Recife (PE), organizada no dia 15 de Junho de 1923, por um grupo de quarenta e um (41) irmãos oriundos da IBCOR que decidiram organizar mais uma Agência do Reino de Deus; Igreja Batista de Serinhaém (PE), organizada em 16 de abril de 1924 na Cidade de Serinhaem (PE), na mata sul do Estado. Essa Igreja teve origem na congregação, iniciada no Pastorado de Manuel da Paz, naquela locali dade na residência do casal de membros da Igreja: Manoel (e Noca) Batista, que para ali tinham se transferido para trabalhar na usina de açúcar.

O Movimento Radical. O Pastor Manuel da Paz, a partir de 1921, envolveu a si e a IBCOR no movimento radical, que ocorreu em Pernambuco e em outras regiões, quando ocorreu o rompimento da cooperação com a Missão norte-americana, com as igrejas dividindo-se em dois grupos: as que aceitaram a cooperação com os missionários norte-americanos e as que não aceitavam essa cooperação. Dentre as Igrejas do Recife, nenhuma aceitou a cooperação com os missionários. Fora da capital, apenas a Igreja Batista de Olinda, dirigida por Benício Leão, a Igreja Batista de Vermelho e a Igreja Batista de Limoeiro, pastoreadas por Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti, a Igreja Batista de Ilhetas (Limoeiro) e a Igreja Batista de Lagedo (Goiana), pastoreadas por Leslie Leonidas Johnson. O envolvimento da IBCOR e do Pastor Manuel da Paz e, mais tarde, do Pastor Sebastião Tiago de Araújo, será abordado adiante, com maior detalhamento. O Pastor Manuel da Paz foi um líder influente no movimento radical, sendo presidente da Convenção Batista Regional e o principal redator do jornal da Convenção – O Batista Regional. Nessa época foi eliminado, da IB do Cordeiro, o missionário William Carey Taylor. Todavia, na ocasião do falecimento do Pastor Manuel da Paz, Taylor publicou, no Correio Doutrinal, um longo artigo, onde traçou o perfil de um homem sincero, leal, corajoso, humilde e independente. Declarou apreciar seus sermões dominicais, dedicados à instrução doutrinária da Igreja, pregados nas manhãs de domingo, onde discorria com simplicidade e firmeza doutrinária, não lhe parecendo estar ouvindo um homem sem formação universitária. Durante o seu pastorado (1913) a igreja adotou o nome atual - Igreja Batista do Cordeiro.

Dados biográficos de Manuel da Paz. O Pastor Manuel da Paz, como era conhecido, um pernambucano de Moreno, nasceu em 25 de outubro de 1880, filho do casal Mariano Ferreira da Paz e Carlota Liberata Mangueira. Convertido na juventude, através do testemunho de suas duas irmãs mais jovens, foi batizado por Salomão Ginsburg em 24 de agosto de 1902. Foi por este encaminhado para estudar no Seminário Batista, sendo consagrado ao Ministério da Palavra, em 3 de janeiro de 1906, para servir no pasto rado na Igreja Batista da Gameleira (hoje IB Imperial). Pouco depois, em 1906, foi convidado para pastorear também a Igreja Batista do Cordeiro, na localidade de Bomba Grande, no Recife, em face da exoneração do Pastor Antonio Marques da Silva, que retornara à Cidade de Salvador, no Estado da Bahia. O Pastor Manuel da Paz, além da IB Cordeiro, Recife (PE), Pastoreou, de forma simultânea, as Igrejas Batistas do Poço, em Maceió (Al), de Gravatá (Pe), de Nazaré da Mata (Pe) e da Rua Imperial, da Torre, do Feitosa, as três ultimas no Recife. Casou-se com Ana Ferreira da Paz, em 22 de maio de 1907. Dessa união, nasceram-lhe sete filhos: Árvila (esposa do Pr Gabino Brelaz, Abigail (casada com Nicodemos Alves Guedes, IB Capunga), Corinto Ferreira da Paz (casado com a Professora Onélia Campelo da Paz, que Pastoreou as Igrejas Batis- tas de Rio Largo e Betel, em Alagoas, por cerca de cinqüenta anos), Auristela (casa da com professor José Rodrigues de Melo), Cláudio (casado com Mercedes), Juvenal (professor, casado com Luzinete) e a professora Áurea (membro da IB da Capunga, professora do SEC e do CAB). Estes filhos lhe deram vinte e quatro (24) netos e algumas dezenas de bisnetos. O Pastor Manuel da Paz residiu com a família na casa nº 70 da Rua Nossa Senhora da Saúde, diante do Templo da Igreja.

Autodidata, conseguiu uma rara cultura para a época. Recebeu sua formação teológica de Salomão Ginsburg, a partir do ano de 1900, na escola teológica que mantinha na sua casa. Depois, no Templo da IB do RECIFE, no horário noturno, onde formou os primeiros Pastores do campo e se tornou o embrião do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil.

O Pastor Manuel da Paz formou uma boa biblioteca, onde exercitava a mente no preparo de sermões. Adquiriu livros de medicina naturalista, estudando aplicação de ervas, com os quais ministrava alívio aos menos afortunado, curando da febre amarela a filha do irmão Luiz Gonçalves, de Gravatá.

O Falecimento do Pastor Manoel da Paz. O Pastor Manuel da Paz faleceu em 26 de Abril de 1926, com quarenta e cinco anos de idade, em decorrência de tuberculose. Seu sepultamento foi um acontecimento marcante, com o féretro saindo da residência do sogro, no bairro da Torre. Seguiu um percurso de cerca de seis quilômetros, percorrido a pé, por familiares, membros das igrejas que pastoreou, alunos da escola Batista e outros membros da comunidade Batista, até o cemitério da Várzea, onde foi sepultado. Após o sepultamento, uma das primeiras decisões da Igreja foi prover o sustento e moradia da viúva, dona Anna da Paz e seus filhos. Assim em 3 de maio de 1926, a assembléia deliberou conceder-lhe o auxilio mensal de 100$000(cem mil reis) e colocar à sua disposição, para residência, a casa em funcionava a Escola da Igreja, até que ela pudesse encontrar outro imóvel para residir. (CAVAL CANTI, Ebenezer Gomes, Um Pastor da Paz, OJB, de 16.05.1976, p.5) Na mesma ocasião houve deliberação de construir um mausoléu na sepultura do Pastor Manuel da Paz, no cemitério da Várzea, contribuindo cada membro da Igreja com 3$000 (três mil reis).